terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Discofonia (22/23 Dezembro)

Yael Naim-Toxic

Joe Henry-
Civilians


Beirut-In The Mausoleum
Jason Moran-
Refractions 2
Jason Moran-
Artists Ought to Be Writing

Burnt Friedman-
Walk with Me


Bill Frisell & Matt Chamberlain-The Wanderer
Feist-
1234
Bibi Tanga & Le Professeur Inlassable-
Ayo
Yeasayer-
Forgiveness
Giant Sand-
Iron Man

Aimee Mann-
Christmastime

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Discofonia (15/16 Dezembro)

Yael Naim-Too Long

Old Jerusalem-
The Temple Bell

"Começando a trabalhar numa canção, eu gosto de a manter em actividade. Vou tocando a canção, mesmo que não tenha nada, eu posso ter uma letra que eu sei que não vai ser a definitiva mas há uma aleatoriedade que é muito, muito interessante no processo de escrita, que eu gosto de manter diariamente quase, quando estou a trabalhar num tema. E deixo que as palavras vão surgindo e vão encaixando, mesmo que não sejam as adequadas, que sequer façam sentido, porque depois há um processo que para mim é o mais interessante na escrita, que é o descobrir sobre o que é que estamos a escrever. Porque um tema vai surgindo e vou tendo palavras de trabalho, digamos assim, que não têm nenhuma relação mas que em algum momento quase se vão tornar definitivas, com pequenos ajustes porque eu descubro que afinal estavam relacionadas, e eu não estava a fazer a associação, mas há um momento em que eu descubro sobre o que é que estou a falar e a partir daí é muito rápido o processo de finalizar a canção. Forma-se na cabeça o assunto do tema e isso depois é muito interessante, mesmo em termos de descoberta pessoal mas, lá está, isso não é partilhável, o que é uma pena. Agora, o que acontece é que provavelmente chegamos ao final com um resultado que não tem nada a ver com o inicial a não ser em duas ou três ideias-chave ou duas ou três palavras-chave e portanto, a partir de certa altura, é uma mistura de adaptação da música a palavras que têm que lá estar ou adaptação das palavras a música que tem de lá estar."

"Eu gostava bastante de ver-me, daqui a 10 anos, a continuar a fazer isto. E de forma não interrompida. Eu gosto da ideia de continuidade, mesmo com um mau trabalho. Eu acho que há-de acontecer fazer coisas que eu não acho que sejam assim... que não é o ideal, aliás nunca foi, mas eu vejo assim essa progressão como necessária. Há que haver ali passos em falso e vai haver momentos mais criativos e momentos menos criativos mas quando as coisas acabam, isso faz todo o tal corpo de trabalho que tem um sentido, que tem uma vida interna." (Francisco Silva)

António Olaio & João Taborda-20 Years in a Plane

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Discofonia (8/9/10 Dezembro)

Zeep-Funny Old Song

Pedro Guedes-
Orquestra Jazz Matosinhos invites Chris Cheek

"Eu penso que há uma certa mistificação da música de jazz, penso que a música de jazz é mais simples do que o que as pessoas pensam ou a imagem que têm dela. Porque, quer dizer, grande parte da música que é tocada, de jazz, é feita sobre uma base, sobre um ciclo que se vai repetindo, e em que as pessoas vão improvisando, por isso é uma coisa que é fácil, se as pessoas tiverem alguma predisposição e algum conhecimento, é uma música que é fácil, e que é divertida porque é, no fundo, essa criatividade toda da repetição e o que se vai fazendo com a repetição, que é a improvisação, não é?, que torna esta linguagem muito especial. E eu penso que há uma certa mistificação ligada... transformam esta música, que é uma coisa que até é bastante espontânea e simples, numa coisa complexa, mais intelectualizada, por isso eu acho que é muito importante que se façam concertos fora, primeiro que tudo fora dos grandes centros, porque nos grandes centros as pessoas certamente têm mais acesso a esta informação, e sobretudo para demonstrar que isto não é uma música complicada nem uma música fechada, bem pelo contrário (...)."

"Aquilo que eu gosto, e estou a falar por mim agora, aquilo que eu gosto, é de ouvir grandes improvisadores, em tempo real, a resolver problemas, e é isso que se passa, quer dizer, isso é muito interessante... é como ver um atleta a superar-se, é exactamente o mesmo processo. É como ver um atleta qualquer a fazer um salto... que bate o recorde mundial, ou a corrida dos 100 metros, que bate o recorde mundial, quer dizer, é exactamente a mesma coisa, são pessoas a superarem-se... em palco, com a linguagem musical, em vez de ser o desporto, que para mim ainda é mais divertido."

"As bandas (filarmónicas) têm sido núcleos muito importantes de formação e dinamização musical porque eles dão ensino e prática a uma quantidade enorme de crianças por esse país fora, crianças, adolescentes e adultos, e têm tido um papel absolutamente crucial no desenvolvimento da música e isso é importante. Sem querer entrar aqui na piscicultura, são viveiros em que felizmente permitem que muitos músicos apareçam e, por exemplo, os nossos músicos dos metais todos eles tiveram passado, vieram de bandas, foi lá que começaram a aprendizagem musical, e depois seguiram o seu caminho, fizeram o conservatório, a escola superior de música, todos eles, enfim. (...) Eu espero que (a Orquestra de Jazz de Matosinhos) seja sempre um tubo de ensaio de novos talentos, espero que a orquestra seja capaz sempre de se renovar, de ser um tubo de ensaio porque as coisas têm que ser experimentadas, tem que haver aqui alguma dinâmica, tem que se pôr a mão na massa, é importante, isso. Mas, felizmente, eu acho que a orquestra, hoje em dia, já está, penso que nós estamos a fazer um papel importante, na medida em que existe uma orquestra de jazz em Portugal que toca diferentes repertórios, e isso é uma coisa importante, embora existam a orquestra do Hot Clube, a Tora Tora Big Band, quer dizer, existem uma data de orquestras, que agora não me estou a lembrar o nome, bom, mas com a actividade regular, a fazer o trabalho que nós fazemos, penso que não existe, quer dizer, num país como Portugal, não se compreende como é que não há uma orquestra nacional de jazz, por exemplo, como há noutros países."

Mário Laginha-Do Lado de Cá do Mar

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Discofonia (1/2 Dezembro)

The Chromatics-Night Drive

Jacinta-
Convexo (A Música de Zeca Afonso)

"Eu sou mais virada para os instrumentistas, normalmente aprendo mais com os instrumentistas do que com os cantores. Aprendo mais sobre música, sobre jazz. Porque o cantor, por natureza, é muito intuitivo. Tudo é intuição... e por isso, normalmente, é um mau professor... é complicado... por isso é que a escola de canto jazz é quase inexistente, porque a passagem oral é mesmo só auditivamente. Não há praticamente uma escola de ensino do jazz vocal.(...) (Com um cantor) aprende-se muito do estar em palco e do domínio da plateia e, digamos, da zona onde se está; não é só o palco mas é toda a sala."
"Foi a partir daí, porque a tournée era com o repertório do Daydream, além de outras canções que nós pusemos ao vivo... a Canção de Embalar passou a ser um encore, porque apesar de ser uma balada e completamente parada, tinha uma reacção gigantesca do público. Eu nunca pensei que isso fosse possível e isso deu-me... quase que me incentivou a ir pegar na música do Zeca Afonso, tipo, agora tenho a desculpa, agora não me podem pegar, lá porque eu sou do jazz, eu vou mesmo fazer Zeca Afonso (...). O Zeca Afonso sempre me disse muito, faz parte das minhas raízes, sempre me acompanhou na minha formação musical, mas sempre em paralelo. Parece que nunca me permiti considerar a música do Zeca Afonso como um possível repertório, completo, para mim, tanto na música erudita como no jazz (...)."
"Sem dúvida (que existe um tabu em trabalhar a música de Zeca Afonso). Em qualquer contexto, eu diria. Porque o Zeca Afonso é o Zeca Afonso, é um ícone, quase intocável, apesar de alguma da música dele já ter sido muito feita, eu senti assim... um certo nervoso miudinho, um certo receio, do que é que me vão dizer, vão-me excomungar... Por um lado, os admiradores do Zeca vão odiar, por outro, os do jazz vão dizer que isto não é jazz... portanto foi assim um bocado... um bocado de lata!"

Bass Drum Bone-1, 2, 3

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Discofonia (24/25 Novembro)

Burnt Friedman-Chaos Breeds 2

Nelson Cascais-
Nine Stories

"Eu tenho o meu projecto, componho a minha música e gosto de ter os meus projectos, mas aquilo que gosto realmente mais de fazer é de ser exposto a músicas e a músicos diferentes, constantemente."
"Nós, em relação a alguns países europeus, temos uma coisa fantástica: se calhar por estarmos um bocadinho aqui isolados da Europa, da outra Europa, por vezes esforçamo-nos mais por procurar influências e por ir buscar inspiração a outras músicas e até outras artes. Não sei... é óbvio que se falarmos de cidades como Londres, Paris, Berlim ou até Amesterdão, é claro que aí acontecem coisas incríveis, de vanguarda, fantásticas, mas eu acho que nós aqui em Portugal fazemos, temos um jazz que é muito particular, que é um jazz muito... que não perdeu o contacto com o jazz tradicional, mais americano, que era o jazz que se fazia há 15 anos atrás, com algumas excepções, houve sempre músicos que estiveram um bocadinho mais voltados para outras tendências, como o Mário Laginha, o Tomás Pimentel... mas a grande tendência há uns anos atrás era o jazz americano e eu acho que o jazz que os músicos actuais e os músicos da minha geração fazem é um jazz que tem, sem dúvida, referências do jazz norte-americano mais tradicional mas depois vai beber a todas as outras músicas, ao rock, ao jazz nórdico, europeu, e a mistura que é feita resulta num som muito particular que eu, por exemplo, não encontro em Espanha, e eu toco bastante com músicos espanhóis, e isso não acontece em Espanha, e aqui acontece e eu acho que é bom."
"Há alguns compositores que fazem sem dúvida o jazz português. Eu oiço... eu acho que um ouvido um pouco mais atento, acho que qualquer pessoa com um ouvido mais atento consegue identificar, mesmo que muito remotamente, consegue identificar a alma portuguesa nas composições de alguns músicos portugueses. Cito os mesmos nomes, consigo ouvir isso na música do Mário Laginha, consigo ouvir isso imenso na música do Nuno Ferreira, do Tomás Pimentel, enfim, entre outros. Acho até que é inevitável que as nossas referências, a música que nós sempre ouvimos, desde crianças, só não saem nas nossas composições se nós oferecermos alguma resistência. E há quem o faça. Quem escrever música, ou tocar com o espírito aberto, acho que muito naturalmente (surgem essas sonoridades)."

Old Jerusalem-Boxes

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Discofonia (17/ 18 Novembro)

William Parker-The Makings of You

DJ Johnny-
CoolTrain Crew/Lux Jazz Sessions

"O techno é o género musical, neste universo de dance music, mais velho, com mais história de discotecas, de hits e indústria, e é natural que as pessoas, passados... se nós temos 10, o techno tem 20, houve 20 anos para assimilar uma coisa que teve grandes fenómenos comerciais. Mas isso também aconteceu porque as discotecas estavam mais próximas dos DJs. Hoje em dia o empresário da noite está muito distante do DJ, ele pensa em facturar. Há uma expressão, que vem da noite, que é espelho disso, que é: ' eh pá, o que é que está a dar?'. Isso significa que não há conhecimento. (...) Eu agora tenho uma expressão nova, que é: o drum' n bass é o enfant terrible da dance music em Portugal. Porque eu acho que é uma música realmente nova, para começar. E como diz o Pessoa, primeiro estranha-se, depois entranha-se."

"Bem, qualquer programador de jazz a nível mundial gostava de trazer aquele trio (William Parker, Matthew Shipp, Guillermo E. Brown). É importante dizer isto, sem medo nenhum. Quer dizer, tanto o baixista, o baterista ou o pianista, na sua arte, cada um deles está no top 5 com uma forma única de tocar. Se foi uma escolha hedonista... não o considero, não o considero. Acho que foi tentar oferecer às pessoas, oferecer por 12 euros, o melhor... A Jazz Session faz concertos, sejam nacionais ou internacionais, com outra norma: tem que ser bom aqui como em Tóquio. Não interessa o factor geográfico. Nós trazemos coisas que apontam pontos de viragem na música, e esse trio foi uma dessas coisas. Obviamente que me deu um orgulho do tamanho do mundo. Infelizmente, eu fico um bocado triste de os amantes do jazz não se aperceberem do que perderam. Ou de algum público dizer: eh pá, é a pagar, não vou. Eu pergunto aos experts e aos entendidos onde é que vão ver um concerto, escolham qualquer cidade do mundo, (onde) vejam um concerto daqueles por 12 euros. Eu pago o bilhete de avião, para essa mesma cidade, ida e volta!"

Yusef Lateef-
Love Theme From Spartacus
Fleetwood Mac-
Everywhere
Gil Scott-Heron-
Lady Day and John Coltrane
Slum Village-
05
CoolTrain Crew-
Dead Combo: Um Homem atravessa Lisboa na sua Querida Bicicleta
Gerry Hemingway 4tet-
Tom Skwella
Selecção de DJ Johnny

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Discofonia (10/11 Novembro)

Vinicio Capossela-Si è Spento Il Sole

Miguel Martins Kaleidoscópio-
The Newcomer

"Eu, quando comecei a interessar-me por jazz, tive a sorte do Zé Eduardo ter vindo de Barcelona para Faro, e em 95 aparecer um guru, que dispensa apresentações, e de eu começar a estudar com ele, só que não havia mais nada... Não há clubes na província, para tu ires fazer jams, não há uma quantidade de músicos, 20 ou 30, 40, já de bom nível, já bastante evoluídos, à tua beira para tu te juntares a eles! Não há uma escola de jazz... não havia nada! O que havia era um grande amor e uma grande loucura na tua cabeça, uma grande paixão daquela música, de passares horas e horas a ouvires discos de jazz, de passares horas e horas e horas a leres livros mesmo especificamente de música, dentro do jazz, não os romances do jazz mas sim livros de música, mesmo virados para a improvisação, e estudar muito... Eu fazia coisas, na altura, doidas, pá. (...) Não me arrependo. (...) Acho que isso influencia muito a tua música. Se tu queres mesmo (tocar), estás na província, pegas no comboio, autocarro, vais até ao Hot Clube, jam session, bumba, tens pr'aí 19 anos ou 20. Nessa altura não havia auto-estradas para Lisboa, passavas 5 horas, depois de 5 horas chegavas aqui, apanhavas um táxi, tinhas que comer qualquer coisa, e depois tocar a noite toda, alugar uma pensão ou dormir na casa de alguém... Quer dizer, isso são tudo histórias que te fazem tocar, isso é que te faz tocar. Se ficares à espera de comprar o livro xpto, que é a fórmula de conquistar o mundo, isso não vai acontecer."

Stéphan Oliva-
Vertigo-Suite (Vertigo, Alfred Hitchcock, 1958)

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Discofonia (3/4 Novembro)

Joe Henry-I Will Write my Book

Sean Riley & The Slowriders-
Farewell

"Dylan, Nick Cave, Leonard Cohen, Neil Young e tantos outros, podia ficar aqui uma hora a dizer as coisas que me marcaram (...). Todo esse tipo de escrita de canções por parte desse tipo de intérpretes marcou-me imenso e a minha vida musical séria começou precisamente com o maior singer-songwriter português de sempre, com o José Afonso... Foi aí que eu despertei para a música, através dos discos que o meu pai ouvia comigo quando eu era ainda muito pequeno e foi aí que eu deixei de ouvir a música que me davam na rádio ou na televisão para passar a querer chegar a casa e eu pôr o meu disco, porque tinha necessidade de ouvir esta ou aquela música. E acho que desde aí, lá está, nesses tais superegos e alteregos e esses níveis todos da mente, não é?, deve-se ter instalado desde cedo um certo fascínio por essa coisa de pegar numa guitarra e contar uma história."
"Nunca me pautei por notas musicais... Acho que a forma como eu canto tem a ver como eu sinto aquilo que estou a dizer... Se calhar a minha voz vem muito mais do coração do que propriamente das cordas vocais, muito mais daquilo que eu sinto naquele momento do que propriamente de tentar colocar a voz desta ou daquela maneira, ou de tentar criar esta ou aquela harmonia."
"Acho que a vida é feita de despedidas, sinceramente. Das coisas boas e das coisas más mas, se nós pensarmos nisso, estamos constantemente a despedirmo-nos de alguma coisa, não é? (...) Da mesma forma que eu já abandonei pessoas e pessoas me abandonaram a mim, e mudei de cidades, e dou um aperto de mão a uma pessoa que eu penso que daí a um mês vou voltar a ver e nunca mais vi, ou conheço uma pessoa que vem de Itália e nunca mais vou ver... A vida é feita de transições e as transições implicam sempre uma despedida de alguma coisa, boa ou má. E acho que a minha vida foi muito marcada por despedidas, por esse tipo de despedidas, sempre para outra coisa, e é por isso que o disco se chama Farewell." (Afonso Rodrigues)

King Britt presents The Cosmic Lounge-Eddie Henderson: Scorpio Libra

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Discofonia (27/28 Outubro)

Vicente Palma-Para Rosalía
Beirut-
Nantes

Matthew Shipp-
Piano Vortex

"Não sei se procura será a palavra certa, porque a procura tem uma qualidade activa... Também há uma qualidade passiva. Creio que podemos chamar-lhe procura mas acho que também lhe podemos chamar ser... e deixar ser o que as coisas são. Por isso, sim, quer dizer, existe uma procura, uma qualidade activa, mas também existe uma qualidade passiva, e acho que no centro de tudo isso existe apenas mistério... Não sei se há procura ou não, se é activa ou passiva, não sei nada sobre essas coisas, eu sou apenas um experimentador sem fim, como todos nós."

"Acho que o Dickey tem um estilo muito original, ninguém soa como ele na bateria, e tem algo que ver com o que ele faz que realmente tem uma ligação com o que faço, não sei como o posso definir exactamente... E ele nunca me obriga a tocar padrões, é isso que quero dizer. Podemos ter um baterista muito bom, mas se ele for muito insistente num determinado sentido pode forçar o pianista a tocar num determinado tipo de padrões, e o Dickey nunca me obriga a tocar padrões (...) e o Joe Morris percebe mesmo o que mexe comigo, o que me motiva, o meu fraseado. E apoia-me de uma forma muito boa, não me empurra demasiado... Eu não preciso que ninguém me empurre porque quero ter a liberdade de levar a música para onde me apetecer, e ele sabe dar o apoio e a liberdade."

Caroline Henderson-
Jazz ain't Nothing but Soul
Caroline Henderson-
So Fine
Baaba Mal, Taj Mahal, Kaounding Cissoko, Antibalas Afrobeat Orchestra-
Trouble Sleep

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Discofonia (20/21 Outubro)

Herbie Hancock & Leonard Cohen-The Jungle Line

Norberto Lobo-
Mudar de Bina

"Lisboa, 2007, acho que é o lugar da minha música... mas também há outras cidades, e o mundo inteiro, espero. Não sei, eu ouço coisas de todo o lado e às tantas sem fazer grande distinção... E uma coisa que me fascina é o comum que as linguagens musicais díspares têm. Isso é uma coisa que sempre me interessou muito... a música do Mali e os blues, etc, etc, etc. Eu acho que essas pontes existem, obviamente, em todo o lado. É como as linguagens que se infectam, e portanto acho interessante dizeres que soa indiano e soa africano, porque isso é tudo música que eu ouvi muito, e de que gosto muito e que, de certa forma, foi parar à guitarra. (...) Eu não sei se as procuro ou se elas me acham a mim, mas sim, ouço muita música e tenho os ouvidos atentos a isso... sim, tenho. E gosto muito de música, daquela música pouco, de certa forma, intelectualizada. Eu não gosto de dizer world music porque isso é tudo world music, não é? Hoje em dia acho que é impossível fazer uma coisa assim, não sei se é impossível, mas acho que é difícil achar uma coisa pura no sentido, não sei que sentido, não sei sequer se existe um sentido, mas pronto, gosto dessa música e acho que isso, essa expressão crua talvez seja um bocado mais comum em toda a música que se faz no mundo."
"(A música do Carlos Paredes) é aquela música que está completamente impressa no nosso código genético, pelo menos no meu. (...) Cada vez que aprendia uma coisa nova gostava ainda mais de Carlos Paredes, e essa ascenção não mostra sinais de enfraquecer e continua muito sólida, que é uma coisa que acontece com poucos outros artistas. (...) Ouço muitas coisas no Carlos Paredes... ouço tudo, ouço essa paleta de emoções toda, está lá tudo, acho eu. Às vezes no espaço de uma canção... que é impressionante."

The Sea and Cake-
Exact like Me
Sean Riley & The Slowriders-
New Year's Eve
JazzMob-
Segments of Bird

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Discofonia (13/14 Outubro)

Norberto Lobo-Mudar de Bina
Zeep-
Have You Ever

Júlio Resende 4teto-
Da Alma

"Filhos da Revolução é o tema mais português que tenho e é uma homenagem à liberdade, que é o único pilar sobre o qual o jazz assenta."
"Em relação à apreciação positiva que os músicos de jazz têm sobre os seus camaradas, o Monk é muito importante, as suas composições, a sua estética, a sua estética vincada, a sua ideia musical, é bastante relevante e significativa no jazz mas pianistas, quer dizer, o Mário Laginha, o Sassetti, o João Paulo Esteves da Silva, são músicos, pianistas portugueses que nós temos, mundiais, extraordinários, os quais eu amo, e depois temos, já que estamos a falar de pianistas, o Keith Jarrett, o Bill Evans, o Brad Meldhau... são extremamente importantes. A música, a minha música, a arte, vem da vida e eles são a vida que eu descubro, quer dizer, eles fazem parte do meu universo, da minha realidade, com a qual eu contacto, e através dela eu me inspiro para criar."
"Há uma relação com o meu amo, obviamente, a vida e a música... é a música, é aquilo ao qual eu sinto a necessidade de servir."

Sean Riley & The Slowriders-
Let them Good Times Roll


segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Discofonia (6/7 Outubro)

Siouxsie Sioux-Drone Zone

Carlos Barretto-
Radio Song/ In Loko

"Em Espanha eles dão muita importância à música nacional, deles. Quando se fala de jazz em Espanha, eu não sei porquê, eles são muito ligados a esta tradição, se bem que já existem músicos e experiências mais marginais, digamos assim, de propostas de música mais criativa. Por exemplo, a partir do flamenco há imensos músicos que fazem um flamenco-jazz improvisado e quanto a mim seria uma coisa que funcionaria muito melhor, inclusivamente para eles exportarem. (...) Nós estamos num espaço europeu e acho que devia haver mais intercâmbio no espaço europeu, no sentido de divulgarem mais os seus jazzes nacionais, digamos, que cada um tem para oferecer, do que propriamente andar a papaguear o jazz americano (...)."
"Quando eu falei no Picasso foi porque houve uma frase dele que me marcou... o Picasso dizia que quando ele trabalhava, como sabe o Picasso foi um revolucionário, não é, revolucionou um pouco os caminhos da história da arte contemporânea, e ele dizia que a arte devia ser acessível ao mais comum dos mortais, a qualquer pessoa que seja inclusivamente ignorante, ou que seja leiga, e então ele diz que punha nos quadros dele sempre alguns aspectos formais, algo que fizesse com que as pessoas percebessem, 'olha, aqui está uma cara, um nariz' e tal, e era isso que que segurava a obra em si porque, claro, com a sua criatividade, ele dava cabo daquilo tudo... mas sempre tinha lá aquela referência que fazia com que as pessoas se sentissem minimamente identificadas, não é... e depois o resto é uma questão de viajar, se se consegue perceber, atingir ou não atingir, isso já não é um problema dele... e eu pensei um pouco nisso e, de facto, o Miles também diz a mesma coisa, aliás eu ainda tenho na minha mesa de cabeceira os livros com as autobiografias deles, que eu andei a ler, enfim... mas achei curioso ambos falarem nisso, não é, e pensei 'pá, é isto mesmo', e então tentei criar uma música, com estes músicos fabulosos, e a telepatia que já existe entre nós, (...), uma música que não fosse preciso estar a escrever muito ou a ensaiar muito; pronto, partir duma ideia global e fazer as coisas in loco, lá está."

Matthew Shipp Trio-
Godspelized